quarta-feira, 12 de outubro de 2011

DEPRESSÃO: COMO ESCAPAR DELA BASEANDO NA BÍBLIA SAGRADA


Em diversas partes da Bíblia nós encontramos expressões que se referem a sentinelas atentas em torres. São seguranças permanentes observando do alto de uma torre todo o terreno em volta da cidade. Não vamos aqui relacionar os textos, pois com a facilidade que temos hoje em dia, qualquer um pode pesquisar sobre este assunto.
Mas será que a Bíblia está presa a fatos somente ocorridos a milhares de anos atrás? Ela está dedicando atenção especialmente aos hebreus? Relatando acontecimentos de cidades antigas?
Ora, as Escrituras Sagradas são livros inspirados para serem levados a toda a Humanidade, em todas as épocas. São ensinamentos muito profundos e não são relatos superficiais.
São fontes de conhecimento e sabedoria endereçados diretamente a cada um de nós, independentes de etnias ou culturas.
Sabe quem é a cidade fortificada? Somos nós mesmos!
Sabe quem é a sentinela na torre? É a chama divina que reside dentro de cada um de nós, desde a fundação deste mundo, desde a origem da Adam Kadmon, da luz primitiva no fenômeno inicial de Adão e Eva.
Vamos partir para a prática, para podermos entender o que necessitamos informar. Suponhamos que você esteja sendo perseguido injustamente. Não é fácil, não é? Já pensou, você ser acusado de um ato, um fato, ou qualquer coisa mal interpretada que de uma certa forma degenera ou degrada a sua imagem?
Esta é a hora da sentinela. Da luz divina dentro de você entrar em ação. Este vigia atento tem que rapidamente afastar de seus olhos, de sua mente, de seu coração qualquer inimigo que se apromime de você. Olhe que podem ser vários inimigos. Dentre eles poderemos inumerar o medo, a vergonha, o ódio,  a intenção de revidar, a tristeza. Veja aí: a tristeza. Este é também um inimigo perigosíssimo. Ele entra dentro da pessoa, vai corroendo aos poucos. Pouco a pouco transforma-se em depressão. Dela podem surgir várias doenças em seu corpo físico, chegando mesmo a algumas incuráveis. Ela pode arruinar sua vida e a vida das pessoas em sua volta, como por exemplo a sua família e seus amigos mais próximos.
A sentinela vigiando do alto da torre todo o terreno em volta da cidade, não permite que os inimigos a  invadam e saqueiem.
Veja quanta sabedoria existe dentro das Escrituras Sagradas quando são interpretadas à luz do espírito e não simplesmente em forma literal.
Fique atento. "Orai e vigiai", aconselha outro ensinamento sagrado. Esta atitude permite não se distrair. Quando perceber que algum destes inimigos estiver se aproximando de você, ore ao Eterno e peça a Adonai Elohênu que os afaste de seus pensamentos. Não os deixe entrar de forma alguma! Percebendo a aproximação deles, recorra imediatamente ao Eterno Criador do Universo e peça ajuda através de orações e se possível for utilizando até mesmo o jejum e a oração conjuntamente.

sábado, 8 de outubro de 2011

YOM KIPPUR - DIA DO PERDÃO


Chegou dia do perdão. À tardezinha de ontem até hoje ao cair da tarde comemoraremos este dia. Yom Kippur é um momento de reflexão. O simples fato de refletir, já significa muita coisa. Só é possível refletir quando se está conectado com o Eterno Criador dos Mundos. Para ver-se, há que estar acima do ego. O olho que tudo vê, observa os movimentos egoístas, que são nossos piores inimigos.
Neste dia pediremos ao Criador, perdão pelos desvios de nosso ego. Ele nos engana constantemente. Quantas vezes dizemos que somos muito trabalhadores. Exibimos como uma qualidade rara do ser humano. Mas pode estar escondida atrás desta corrida pelo trabalho excessivo, um defeito muito grande. Por exemplo: o desejo de possuir mais bens materais do que os outros!
Quantas vezes dizemos que somos muito bondosos. Escondida atrás desta bondade superficial pode residir a exploração de nossos próximos. Ela poderá vir sob diversas formas, sejam elas publicitárias, psicológicas como carência de afetos ou políticas.
Quantas vezes dizemos que somos pacíficos, pois concordamos com tudo e todos. Isto não é correto. Ficar em cima do muro, não é uma atitude bem vista aos olhos de Adonai Elohênu. Podemos ser pacíficos sim, mas interiormente. O que não significa que tomemos partido por um estado de igualdade, de distribuição de rendas, de decência nas relações políticas e sociais. Mahatma Gandhi cabe aqui como um bom exemplo de pacificador e transformador social.
Outro nobre exemplo é o de Luther King buscando direito e igualdade para os povos. Outro inesquecível pacifista: John Lennon!
Neste dia de hoje pediremos ao Eterno perdão pelos erros de nosso ego. Ao nos vermos frente a frente, reconheceremos onde tropeçamos. Visuaremos a curva da estrada por onde nos desviamos do verdadeiro caminho, da fonte da água eterna.
Lembraremos que nosso ego não é nosso eu superior. Nosso ego está ligado aos nossos pensamentos, sentimentos, desejos, emoções, corpo físico. O corpo físico composto de átomos, células, moléculas, sistemas é dependente do tempo e do espaço. Os pensamentos, sentimentos, desejos, emoções não estão ligados ao espaço, porém estão ligados ao tempo. Um pensamento tem seu momento que começa e que termina, assim como os desejos, sentimentos e emoções. O ego está ligado ao tempo e ao espaço. Mas aquele olho que tudo vê e tem sua luz dentro de nós, não está ligado nem ao tempo nem ao espaço. Quando observamos como pensamos, sentimos, desejamos, emocionamos, estamos num patamar elevado onde reside a perpétua eternidade. Esta observação destrói o sofrimento e o medo.
Neste dia de Yom Kippur conseguimos a graça divina de nos aproximarmos o mais perto possível deste estado inalteravel de eternidade, no seio de Adonai Elohênu.

sábado, 16 de abril de 2011

DIRETORA COMETE ASSÉDIO MORAL, MAS É UMA QUESTÃO PSICO-ESPIRITUAL

Alguém me confidenciou que foi perseguida injustamente por uma diretora sua, de uma forma insuportavel, num nível de perseguição dificil de se compreender, uma vez que a perseguidora dizia-se e apresentava-se como religiosa, frequentadora de igreja, denominava-se evangélica e andava com a biblia sagrada debaixo do braço.
Esta diretora fez de tudo que pôde para expulsá-la da escola. Chamou-a de louca, de imprestavel, sumiu com papéis dela, destruiu arquivos que ela tinha organizado durante meses, para produzir uma cena e uma impressão em outras pessoas, de que sua subalterna era incapaz, incompetente, maluca, etc.
As atitudes agressivas de assédio moral chegaram a um ponto tal, que esta pessoa adoeceu profundamente, retirou-se do local de trabalho humilhada, banida e ridicularizada. Não conseguia mais dormir, nem alimentar-se regularmente e suas relações familiares e sociais foram simplesmente implodidas. Ela queria que eu lhe desse uma explicação que a acalentasse. Necessitava inclusive de parar de tomar remédios, que antes nunca tinha tomado. Nós, rabinos, não somos donos de todo o conhecimento, mas sabemos com humildade esperar uma revelação do Eterno, para todos os acontecimentos, seja em nossa vida ou daqueles que nos procuram para uma orientação espiritual.
Disse-lhe que o fato de alguém apresentar-se como religioso, mostrar carteirinha de membro de alguma congregação, exibir amizades com chefes religiosos e falar o nome de Deus a toda hora, não significa que é uma pessoa religiosa, mais ainda pelos atos que esteja praticando. A dedução é imediata. Esta pessoa é sádica e narcisista. Gosta de ver os outros sofrer, porque não suporta ver a alteridade, a diferença, o que sobressai entre ela e esta pessoa. Sendo narcisista, quer olhar o outro colocando um espelho entre ambos, olhando-se a si mesmo. Não consegue devido à presença do outro ser mais forte que a sustentação de seu espelho.  A inteligência e o brilho do outro ofusca de longe a imagem dela no espelho. É um outro que ela não consegue atropelar na face de seu espelho. O narcisista não suporta que alguém lhe quebre o espelhe ou possibilite que caiam suas máscaras postiças de personalidade.
Como é portadora de doenças mentais, encontra como recurso a psicotização de Deus. Isto é, materializa Deus para si. Geralmente estas pessoas dizem "o meu Deus me disse", "o meu Deus me esclareceu", "o meu Deus me enviou", "o meu Deus me revelou". Fazem o que fizeram os falsos adoradores no deserto do Sinai, quando recriaram o Boi Ápis para sua adoração. Eles eram psicóticos. Eram terríveis companheiros de jornada. Criando um deus para si, tenta justificar sua tirania como se fosse uma ordem divina. Com isto pensa que os outros possam não desconfiar de suas torturas psicológicas em cima de alguém.
Esta falsa divindade que criam para si, também é um recurso para sustentar a caída do espelho e a queda das máscaras, que vão se sucedendo com o tempo, pois ninguém consegue enganar a todo mundo, por um longo período de tempo. Chega o momento em que as outras pessoas começam a perceber o reino da verdade. Quem tem a verdade se liberta e torna-se um crítico correlato com a situação que está vivendo. Passa a perceber com mais clareza. A verdade é como uma máquina de lavar. Separa com o bater dos dias, as impurezas impressas. A verdade também começa a destroçar o espelho do narcisista. Então, ela começa a se desesperar e a psicotizar com mais veemência a sua divindade. Levanta cultos em sua casa e convida ao máximo todas as pessoas possíveis, porque sabe que o espelho está trincado e a figura do outro está viva além das trincas. Em reuniões perante comunidades, antes dos discursos de prática, recita salmos ou cita alguma passagem dos evangelhos. Cria um disfarce quase enganador, mas que não conseguirá conservar até o fim do baile de máscaras. Ela precisa ver-se a si mesmo. Não aguenta a presença do outro diferente. Faz toda esta movimentação externa para cobrir as rachaduras que se reproduzem em sua personalidade. Não suporta a dor da inveja. Inveja vem do latim, invedere, isto é, não quer ver o que está sendo visto.  Portanto, pratica também um sacrifício enorme. Este sacrifício demanda energia. Esta energia enfraquece seu organismo e pode causar-lhe diversas doenças. Não é em vão que na Sinagoga, desde cedo aprendemos o valor de respeitar aos nossos próximos. Sabemos desde jovens o sentido do perdão e da fraternidade. Porque estes quesitos são básicos e necessários para a nossa saúde física e mental.
Esta Diretora precisa urgentemente de um tratamento mental com um psicólogo ou psicanalista. Ela é quem está doente. Por esta razão é que treinamos desde cedo a amar o Eterno sobre tudo, a não construir outros deuses sobre Ele. Amar ao nosso próximo como a nós mesmos, dentro de  uma forma sadia de não adoecermos, de não cairmos nas redes das psicoses e das doenças, pois o Universo retribui ao semeador aquilo que ele planta. Não há necessidade de criarmos deuses, porque somos humanos e fomos criados pelo Eterno, portanto se criarmos deuses, criaremos energias de baixo nível que nos destruirão. Quem se eleva ao Eterno e aprende isto desde criança, se liberta das mazelas da vida. O Eterno tem um coração que cabe todo o universo conosco.
Ela, a perseguida, deveria de joelhos pedir ao Eterno que cuide desta pessoa, que a cure, que a transforme, que a liberte destas psicoses, porque tudo retorna à fonte, a tendência de nossos atos é nos devolver  frutos conforme nossa semeadura.
Esta lição que aprendemos com nossos pais de amarmos até mesmo aos nossos inimigos, não é para nos enaltecermos, nem nos engrandecermos de sermos chamados filhos do Eterno. É para nos curarmos, porque através desta experiência, suportaremos perseguições e ajudaremos àqueles que nos perseguem, que são nossos irmãos do deserto da vida, que tomaram o caminho errado, que se afastaram do Eterno, adoeceram e correm o risco de perderem a oportunidade de viver em sua Magnitude e Sapiciência. Nós temos uma grande responsabilidade sobre eles. Precisamos urgentemente de salvá-los.
Se você conseguir compreender isto, jogará fora todos estes remédios que está tomando. Quando perder o sono, ore por ela. Quando não tiver fome, faça jejum por ela. Quando não tiver vontade conversar com ninguém, converse com o Eterno para abençoá-la. De uma forma ou de outra o Eterno encontrará uma solução para o seu problema, porque sua porta estará sempre aberta a quem nela bater e pedir socorro. Ele mesmo disse: se uma galinha ama a seus pintinhos, imagina o quanto Eu não amo meus filhos prediletos.

domingo, 6 de março de 2011

ABRAÃO, NOSSO PAI ALÉM DA LINGUAGEM LITERAL

Vejamos seriamente a etimologia da palavra Abraão em sua forma mais antiga possivel: AB RAM, ou PAI RAM, ou melhor BRAMAN, o que indica uma transmigração do conhecimento espiritual da tradição oriental para o ocidente.
Antes do desaparecimento da Atlântida vários iniciados se transladaram para diversas partes do planeta para levar consigo as sementes dos conhecimentos mais profundos e sagrados. Noé foi um destes iniciados. Não cabe aqui neste artigo tratar sobre a Atlântida, mas prometo em outro artigo trazer informações, muitas delas desconhecidas da humanidade atual. Todo o atual conhecimento vem dos gregos e romanos e eles não sabiam profundamente destas coisas. Eles são como meninos diante dos nossos conhecimentos mais antigos. Do atlantes sobraram algumas linguas como o avesta e o sânscrito que deram origem a várias linguas atuais.  Os brâmanes (Abraãos) eram os guardiães dos Vedas em seu sentido mais profundo, inclusive monoteista. Do meio deles saiam os sacerdotes do Altíssimo. Lembrem-se que Abraão encontrou-se com Melquisedeque, um sacerdote do Altíssimo, sem genealogia alguma, uma espécie de Filho de Deus na Terra, por aí vocês já começam a perceber a presença bramânica naquela região, pois eles tinham o costume de se deslocar periodicamente. Melquisedeque com certeza finalizou com sua benção a iniciação de Abraão. É comum referir-se que o povo de Abraão era idólatra. Isto é fácil de se explicar.  Os brâmanes, também chamados Rishis eram descendentes dos atlantes que se instalaram na Pérsia (hoje Irã, é bom lembrarmos que daí surgiu Zoroastro, que fundou o zoorastrismo ou mazdeismo, com muita influência também nas religiões judaicas-cristãs-islâmicas, etc), assim como se estabeleceram também na Índia, Vale dos Indus, Himalaia e cadeia de Vinddhyã. Estes brâmanes eram monoteistas e conheciam as manifestações das forças divinas, hoje mais facil de se compreender se estudarmos a física einsteniana juntamente com a física quântica, a teoria das cordas; o Tao da Física de Fritijof Capra, assim como Ponto de Mutação; as idéias de Deepack Chopra ou mesmo se nos reportarmos à Cabala Hebraica ou aos Padres de Alexandria, como por exemplo Plotino. Para aqueles povos mais atrasados, estas manifestações se transformaram em poderes de idolatria o que infundiu em quase todo o mundo, desde o oriente, oriente médio, Egito, Grécia e Roma.
Nestas viagem de nosso Pai Abraão (nossos pais brâmanes conhecedores dos antigos mistérios do Altíssimo) eles levaram suas idéias para diversas partes do mundo, mas em cada comunidade que apareciam, estavam sujeitos à leitura e cultura locais, daí vem as derivações literais e mitos populares. Foram estes povos que escreveram estas histórias centenas de séculos depois. É importante que tenhamos uma mente aberta e livre, para podermos apreender o que está acima da narração mítica e popular. Para os antigos brâmanes, o Deus Supremo era BRAHMAN, que criara PURUSHA, o Homem Cósmico que deu origem a Brahman, o Criador, Vishinu, o Conservador e Shiva, o Destruidor. Para os povos mais atrasados, estes atributos do Eterno se transformaram em deuses, divindades e foram se desdobrando em inúmeras outras divindades. Eles não tinham intelecto capaz de compreender o jogo ascendente e descendente da árvore sephirótica de Malckuth até Kheter e além ao mundo de Ein Soft. O que nós podemos compreender aí é que a partir de Brahaman, o que se processa são leis e energias oriundas do próprio Deus. Quem conhece a Kabala Hebraica sabe que o Eterno criou Adom Kadmon, o Homem Cósmico Primordial, portanto tanta semelhança, não pode ser pura coincidência. Nós somos partículas deste Homem Cósmico Primordial criado pelo Altíssimo, deste Adom Kadmon ou Purusha. Você apanha o primeiro livro do Torah, Bereshit, ou Gênesis, na primeira folha e verá escrito: "façamos o homem conforme nossa imagem e nossa semelhança e domine sobre os peixes, etc... e criou Deus o homem à sua imagem, macho e fêmea os criou.  Devo relembrar que estes livros foram escritos a partir do século VIII a.C., ou seja recompilados de tradições orais 600 anos após Moisés, sob uma cultura grega, impregnada dos mistérios orfeicos(de qualquer forma, estes mistérios tinham fundo monoteista)..  Na página seguinte é que Deus cria o jardim do Édem e cria um outro homem retirado do pó (átomo) e soprado em suas narinas o fôlego da vida. Este homem já trazia consigo o feminino (Eva) que foi retirado de suas costelas (forma alegórica de explicação da divisão de sexos). Cada um de nós somos um átomo que se desprendeu de uma caída cíclica do Admon Kadmon, primeiro homem, ou Purusha, criado à imagem e semelhança divina, mas cujo maior e único objetivo é voltarmos a fazer parte deste grande corpo divino, no regresso à Casa Paterna.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

JOSÉ DO EGITO VISTO SOB UM ÂNGULO PSICANALÍTICO

José está na adolescência e cuida de ovelhas e cabras (mudanças alternadas na mente do adolescente, umas calmas outras mais ousadas). Filho de uma das esposas de seu pai Jacó (além de mostrar historicamente uma sociedade poligâmica, também demonstra um homem no sentido universal). O pai também representa o super-ego, pois ele conta para seus pais os erros de seus irmãos (seus "eus interiores"). José ganha uma túnica (seu despertar é premiado por uma proteção). Os outros irmãos ("eu pecaminosos") sabiam que José era mais puro e mais querido do seu pai (luta interior). José sonha que é um feixe em pé e os irmãos feixes em volta (consciência de que tem condições de dominar seus outros "eus interiores"). Outro sonho: sol e lua e onze estrelas se curvam diante dele (indica expansão mental e universal, possibilidades de arcar vôos em direção de pensamentos mais lógicos dedutivos e indutivos). Seu pai pede para José procurar seus irmãos e ver se estão bem (necessidade de conferir suas realidades internas). Seus irmãos ("eu internos") o jogam no fundo do poço (o jovem ainda não tem o mundo sob seu controle) e o vendem a mercadores (escravo dos poderes do mundo). Os irmãos sujam a capa de José com sangue de animal e mostram ao pai que fica de luto, mas promete encontrar-se com ele depois da morte (a proteção permanece, embora o mundo a tente disfarçar e anular. O pai também se apresenta como um Pai Espiritual).
José torna-se escravo de  Potifar, Oficial-Capitão da guarda do Faraó do Egito (está preso ao seu ego) e também sob o controle do super-ego. Está vivendo um jogo muito duro na realidade. O ego tende-se equilibrar com todas as suas forças entre as mazelas do inconsciente e as proclamas do super-ego.
A tentação da mulher de Potifar está dentrto deste jogo. A alma está ilhada nas armadilhas mundanas e não é fácil e simples sair delas. Na mesma prisão se encontram o chefe dos copeiros (vinho) e o chefe dos padeiros (pão). O vinho simboliza o espírito, a alma e o pão simboliza o material, a terra.
O chefe dos copeiros sonha que tinha três galhos de uvas e oferecia uvas ao rei. José responde que será solto em três dias.  O espírito sobreleva.
O chefe dos padeiros sonha com três cestos brancos sobre sua cabeça. No cesto mais alto havia todos os manjares de Faraó e as aves os comiam.  José responde: dentro de três dias Faraó levantará a tua cabeça sobre ti, e te pendurará num pau, e as aves comerão a tua carne de sobre ti. Representação do devenir da própria matéria. Recordação de que o espírito está acima da matéria.
José pede ao chefe dos copeiros que se lembre dele, mas ele se esquece. Nós muitas vezes nos esquecemos das revelações divinas que recebemos.
As coisas aconteceram conforme reveladas por José.
Sonhos do Rei: Sete vacas magras engolem sete vacas gordas e sete espigas feias engolem sete espigas belas. Neste momento o copeiro mor se lembra de José que é levado ao Rei, desvendando-lhe os sonhos, dizendo que a revelação declara que haverá sete anos de fartura no Egito e logo após virão sete anos de fome. Que ele deveria investir em plantio e celeiros para aguardar os tempos difíceis que chegariam. Vê-se que é pela luz do espírito (copeiro/vinho) que José volta ao controle de si, pois o Faraó o elege Governador do Egito. Significa que a alma conservava um elo espiritual e não se entregou às mazelas da matéria. Os sonhos do Rei, também significam nossos sonhos gloriosos, aos quais devemos estar atentos a eles, para interpretá-los, pois são eles que nos ajudam a vasculhar nossos sentimentos mais reprimidos jogados no fundo do inconsciente.
O Egito escapa da fome e da miséria, reconcilia-se com seus irmãos, encontra seu pai. Em outras palavras, o ser atinge maturidade e já sabe conviver seus conflitos interiores, conhece o valor do perdão, da renúncia, da reconciliação e não se distancia de seu Criador.
Em seu trabalho, não há destruição nem repressão de seus conflitos interiores, existe realmente um trabalho que os harmoniza e reequilibra. Este é o verdadeiro trabalho psicanalítico. Um ser assim é capaz de elevar o nivel moral e social da humanidade. A vinda da família para o Egito e a volta para Israel, significa o valor do encontro no processo amoroso do perdão e a recompensa pela glória recebida.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

MOISÉS PODE SER VOCÊ MESMO

Ensinamento do Rabino Youssef

Moisés pode ser você mesmo! Estranha declaração não é? Todos nós somos escravos do mundo e necessitamos nos libertar desta escravidão. O Faraó representa a parte cruel de nosso ego que mata todas as nossas criancinhas interiores. Porém, este próprio ego, tem seu lado bom. Por exemplo sua filha princesa que encantadoramente brinca no lago(lago da paz, da inocência interiora). Para que nossa criancinha real, nosso eu espiritual alcance libertação, ele deve descer pelas águas límpidas da proteção de nossa mãe amada( nosso Eterno Divino)  e ficar sob a proteção da princesa encantada que banha no lago da inocência de nós mesmos. Enquanto a alma vai crescendo na corte suntuosa do Ego (Faraó terrivel), ela também vai tomando conhecimento de sua linhagem e herança espiritual. Conhece sua família, seus pais, seus irmãos, em outras palavras se reconhece como filha do Eterno e não como filha do mundo(a terra de Mizraim , o Egito).  No bom sentido, ela precisa de acabar com as mazelas que acorrentam alguns de seus sentimentos interiores que ainda estão escravos. Depois ela foge. Vai para o deserto. Passa por um processo de renúncia total. Inclusive de ser filho do Faraó do Egito (Ego terrivel do mundo).  Conhece um sogro que é mestre. Casa-se. Em outras palavras, ela se ajugenta do mundo prisional das paixões, volúpias, desejos, etc e se distancia, onde encontra os primeiros ensinamentos para o seu crescimento. Mas isto não basta. Uma vez adquirindo tal envergadura, ela necessita libertar todos os outros escravos. São imperfeições mais solidificadas dentro dela mesmo. Ela tem que lutar frente a frente com o Faraó (Ego terrivel), e libertar seus escravos interiores do mundo mal(Egito, terra de Mizraim). Tem problema na fala. Ou melhor, sua linguagem ainda está contaminada pelo mundo. Necessita substituí-la pela linguagem sagrada (AArão, seu irmão, fala por Moisés). A palavra tem poder, alcança autoridade espiritual.  Mas só pode vencer com a ajuda do Eterno, que lhe protege. Ela de novo precisa de se afastar mais das tentações e provas do mundo. Leva-se anos num deserto de privações e provas. Mas logo de início recebe o Torá, ou melhor, um código de leis que com certeza haverá de sustentá-la na travessia. Chega o momento final. Para trás, fica o velho homem e segue o homem novo (Josué- veja a semelhança com IAVÉ - IOUA - IOCHUA, etc). Porém a luta continua, há muralhas a serem derrubadas, espaços a serem conquistados e posições a serem tomadas. Ela sabe qual o caminho da libertação, porque conseguiu sair do caminho da escravidão. Uma epopéia que pode ser vivida por cada um de nós. Moisés (o filho tirado,  salvo) é filho de Joquebede (A glória de Iavé), tem um irmão sacerdote Aarão( o iluminado), seu pai Anrão (povo engrandecido), sua irmã  Miriam (significa senhora). Pois bem, aquele que se salva das mazelas do mundo, torna-se filho do povo engrandecido pelo glória do Eterno. Sua alma se ilumina e se torna senhora de si. Eis aí a chave mosaica para qualquer um de nós.


SOCIEDADE CIVIL OU SOCIEDADE SERVIL

O Rabino Youssef, conversando com um amigo, a caminho da Sinagoga, este confidenciou-lhe que estava muito preocupado com a situação mundial, principalmente com referência ao sistema político mundial, rodeado dos três poderes. Percebia que cada poder, seja ele legislativo, executivo e judiciário, estava criando um feudo particular com amplos poderes de aumentar seus salários como quisessem, de ampliar seus direitos ao extremo, de exercer desmandos sem serem julgados, uma vez que eles mesmos criam as leis e as alicerçam de vertentes, por onde escapam quando necessitam.
Rabino Youssef  fez o seguinte comentário: "No início das sociedades dominavam os chefes tribais primitivos, com o passar do tempo se tornaram reis e monarcas. Alguns, desde a antiga Babilônia, Egito, Assíria, Pérsia (hoje Irã), alguns estados-cidades gregas, Grécia pós Alexandre, Roma, Europa Feudal, chegaram ao cúmulo de alegar um direito divino sobre o trono e à posteridade, pertencendo pois a filhos e netos, etc. Todos os segmentos da sociedade eram controlados por este indivíduo, desde economia, comércio, leis. Mandavam à forca por lesa majestade. Eram senhores de todos. A partir do século XV, em toda a Europa iniciou-se uma inquietude geral, porque desencadeou-se a visão crítica da realidade, da arte, da religião e da sociedade. Este movimento renascentista culmina com a teoria heliocêntrica e o antropocentrismo, inclusive na Reforma Protestante e no Renascimento da Ciência Moderna com Galileu. Mas o poder monárquico se reforça de um lado com a expansão marítima, a colonização e a escravização. Surgiu o estado absolutista com seus defensores, uns dizendo que os homens deveriam renunciar às suas vontades para serem governados por um governo absoluto, numa espécie de um maldito contrato social. Outros que os homens deveriam se portar como cordeirinhos porque o rei tinha seu poder por origem divina. Mas revoltas começaram a nascer por toda parte. Um exemplo é a instalação de uma monarquia parlamentar na Inglaterra, com o Bill of Rights (Declaração de Direitos), onde o parlamento limitava os poderes do rei. Com a superioridade da lei sobre a vontade do rei, começa o declínio do absolutismo, a partir da Revolução Gloriosa (1688-1689). Este é o caminho do Estado Liberal dos três poderes: Legislativo, Executivo e Judiciário. Inicia-se também o Iluminismo ou Esclarecimento, em busca de mais liberdade política e econômica. Não há dúvidas que por trás destes movimentos estão burgueses intelectuais. Agora a razão era a suprema luz e direção. Por ex. John Locke (1632-1704) condenava o absolutismo, defendia a liberdade dos cidadãos com tolerância religiosa e liberdade política. Voltaire, não propriamente um democrata, lutou pelas liberdades individuais, propriedade privada e liberdade religiosa. Diderot e D'Alembert criaram uma enciclopédia de 33 volumes, que pode ser considerada a democratização do conhecimento ou a mãe do GOOGLE.  Montesquieu (1689-1755) na obra O Espírito das Leis, defende a separação dos poderes do Estado em Legislativo, Executivo e Judiciário. Rousseau declara que todos os homens nascem livres. A única constituição que ainda se constitui natural é a família.  Daí em diante, vem uma série de lutas, revoluções, transformações, por onde chegamos à República e Democracia, antigos sonhos de muitos que deram o sangue por eles.
Se os três poderes continuarem agindo de forma que se privilegiem, que alcancem níveis salariais extrapolados, que atinjam a poderes ilimitados, nós simplesmente voltaremos à época dos grandes tiranos, dos monarcas despósticos e com certeza iniciarão movimentos libertários em busca de direitos iguais por toda parte.
Ainda não vi, sistema melhor do que este dos três poderes, da república e da democracia, mas o que necessitamos é realmente de um acerto das questões relatadas. De outra forma, em lugar de uma sociedade civil, teremos uma sociedade servil."

FAÇA O QUE VOCÊ GOSTA

Um jovem procurou um Rabino para ensinar-lhe o aperfeiçoamento no trabalho. Eis a resposta: "Primeiramente você deve fazer aquilo que gosta. Pois aquilo que lhe apraz foi o toque da vara de condão que o Eterno deu em sua alma. Para aquilo que você gosta, inclina o seu coração. Com certeza terá sucesso ao fazer o produto do seu dom.
Não deixe para fazer à tarde, o que possa fazer de manhã. Faça primeiro as coisas mais difíceis, pois quando começamos nossas tarefas de manhã, estamos mais animados e com mais energia. Deixe as coisas mais fáceis para depois.
Faça sempre um pouco mais, pois quando estiver doente, se recompensará com o mais que fez. Não trabalhe com ambição, trabalhe com devoção.
Pense sempre que o seu trabalho é para o bem da humanidade e não somente para o seu bem. Tire uma parte do seu trabalho para doar àqueles que necessitam, sejam viúvas, órfãos, anciãos, necessitados em geral.
Faça cada vez melhor e com maior graciosidade. Use dinâmica e criatividade. Trabalhe com alegria, usando todo o corpo, toda a alma e toda a sua mente. A palavra laboratório, vem de duas palavras latinas: labor = trabalho e oratório. Então é o local para trabalhar em estado de oração. Os antigos trabalhavam assim.
Nunca perca de vista que o Eterno tem suas mãos sobre seu trabalho."

TECNOLOGIA E GLOBALIZAÇÃO

Numa conversa sobre tecnologia e globalização, o jovem dirigiu-se ao Rabino da seguinte forma: "Senhor, vivemos no ápice tecnológico e nas fronteiras de uma aldeia global. Vivemos uma era magnífica!".
O Rabino Youssef olhou para ele longamente e respondeu: "Meu filho, há que ponderar. Você vai ao supermercado e quase não vê mais grãos ou sementes. Os que ainda encontramos, e que não são alimentos enlatados, são transgenizados. Perderam sua essência natural nas mãos dos modernos tecnólogos da agricultura. Além disto são resultados de adubos químicos e inteticidas diárias. Vou usar o supermercado para responder às suas duas questões relativas à ponta tecnológica do momento e à globalização. Ali dentro, as pessoas estão todas juntas umas das outras, mas totalmente separadas e selecionadas conforme seus poderes de compra. Nossos ancestrais durante milênios conservaram o solo, os grãos, as sementes, foram carregando-os de geração em geração, sem nenhuma deturpação. As últimas gerações, avançaram pelo caminho desordenado das ciências, criaram adubos químicos que contaminaram tudo pela frente, deformaram os grãos e as sementes, pulverizaram com inseticidas, agrotóxicos, produtos monofosforados, piretróides, etc. Não sabemos até onde irá o estrago em nossos organismos internos de toda esta panacéia criada pela ciência moderna.
A brutalidade social exercendo a pressão do desemprego e da fome é a maior desumanização que toda a história humana conheceu até hoje. Não existe nenhuma globalização. Existe aculturação, violência bélica ou até mesmo invasão ao mundo interno de cada cultura, criando laços de ódio e ressentimento, que podem trazer efeitos maléficos por ene gerações.
Meu filho, é necessário olhar mais de perto a sociedade atual. Será que ela caminha em direção ao amor? E lembre-se, amor, não é uma dádiva para francoatirador. Amor não é à distância. Amor é responsabilidade e envolvimento com o outro. O outro? Quem é o outro? Além de ser cada próximo nosso, também é o grão, a semente, a grama, o rio, o mar, o solo, a vida."